Uma conversa banal enevoa ardente
numa esplanada um pouco diferente
sui generis o seu nome, e a ironia na paisagem
Carlos Diamante, dono de seu triunfante
destino aperta os dois pulsos numa contemplação,
se me permitem descrever, orgásmica corrente
em plenos olhos dormentes
de tanto ougar aquele objecto rolante
Nunca entendi a fervura do homem pelo futebol
talvez pela bola ser curva
e o nosso corpo estar relacionado a formas redondas
ao contrario do quadrado relacionado ao molde masculino
adverso ao nosso corpo violino
Mas nem tudo os centra para nós
as mulheres são tolas em acreditarem ser o imo
Se somos o portal para o divino
onde a chave se encontra em suas gadanhas
Falo então sobre a telenovela de segunda
do actor primacial que é tão bom
da actriz que não é bonita como deve de ser
e do pai, o núcleo de todo o emaranharão
que vai alimentar 150 serões de mexerilhão!
Carla Fólícia, funcionária publica há 5 anos
queixa-se-me de falta de simpatia da parte do patrão
de como ele a deixa louca, pela simples lei do desprezo
dos jogos de cintura
da incerteza que lhe paira, "- Uma névoa incandescente! Maria Lua!"
oh sim...como se não soubesse que são fantasias
apenas ficções de um capricho, a necessidade tamanha de sentir amor
nem que seja ilusão do fervor.
Inconscientemente as pessoas procuram-na
preferindo viver no limbo,
na constante preseguição
da terráquea consciência.
Catarina Miranda
domingo, 13 de Setembro de 2009
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quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
Centro do labirinto
"Possivelmente, o amor continua a chamar-nos do centro do labirinto e nós andamos às voltas sem sermos capazes de o encontrar. Porque o labirinto não é um jogo: é a defesa mágica dum centro, duma significação, e talvez seja necessário despojarmo-nos de muitas coisas e tornar a vestir as vestes da inocência para que o amor nos possa ser revelado (...)"
" Diz a sabedoria tântrica que toda a mulher nua incarna a Natureza - a Prakriti - Natureza-Mãe que é necessário solarizar para que a junção do Sol e da Lua regresse ao estado primordial de indiferenciação. Não se trata da dualidade, mas de, com a ajuda da mulher, despertarmos a mulher adormecida que temos dentro de nós.
Porque nós não nos pomos no lugar do outro: temos é que descobrir o que o outro acorda em nós."
in Riso de Deus, de António Alçada Baptista (1994)
" Diz a sabedoria tântrica que toda a mulher nua incarna a Natureza - a Prakriti - Natureza-Mãe que é necessário solarizar para que a junção do Sol e da Lua regresse ao estado primordial de indiferenciação. Não se trata da dualidade, mas de, com a ajuda da mulher, despertarmos a mulher adormecida que temos dentro de nós.
Porque nós não nos pomos no lugar do outro: temos é que descobrir o que o outro acorda em nós."
in Riso de Deus, de António Alçada Baptista (1994)
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domingo, 21 de Junho de 2009
Ventura
Andei pelas quebradas abismais
Em busca dessa argila que era eu,
Mas nada consegui do que foi meu
Nem vi, sequer, o rasto dos meus ais!
Voltei às convivências espectrais
Da sombra em que o meu ser se converteu
E o sonho que vivi perto do céu
Perdeu-se como as folhas outonais!
Talvez exista ainda na lonjura
A catedral imensa da ventura
Firmando o pedestal do meu desejo…
Talvez exista, sim, quem sabe lá?
Mas onde procurá-la? – Onde está?
Se eu vivo dentro dela e não a vejo?!
Alberto Miranda, Musa incerta (1957)
Em busca dessa argila que era eu,
Mas nada consegui do que foi meu
Nem vi, sequer, o rasto dos meus ais!
Voltei às convivências espectrais
Da sombra em que o meu ser se converteu
E o sonho que vivi perto do céu
Perdeu-se como as folhas outonais!
Talvez exista ainda na lonjura
A catedral imensa da ventura
Firmando o pedestal do meu desejo…
Talvez exista, sim, quem sabe lá?
Mas onde procurá-la? – Onde está?
Se eu vivo dentro dela e não a vejo?!
Alberto Miranda, Musa incerta (1957)
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domingo, 7 de Junho de 2009
Trapos da Viagem
Como suas mãos são leves de vento
de tão pesadamente seu coração bater
o meu cabelo emana da minha ternura
e é, então, a combustão que vê dele suster
Somos compassos, senhor, somos a morte vivendo de amor
em cada fagulha planto-lhe cores das ilustres viventes de nosso jardim
as minhas saias emaranham-se no rosal
e voltam às mãos de majestoso meu rei as pétalas apresadas,
porque me prende em seus braços a cada poiso de suas asas
e tudo o que lhe posso oferecer
além de mi alma
trazem os meus trapos da viagem
de tão pesadamente seu coração bater
o meu cabelo emana da minha ternura
e é, então, a combustão que vê dele suster
Somos compassos, senhor, somos a morte vivendo de amor
em cada fagulha planto-lhe cores das ilustres viventes de nosso jardim
as minhas saias emaranham-se no rosal
e voltam às mãos de majestoso meu rei as pétalas apresadas,
porque me prende em seus braços a cada poiso de suas asas
e tudo o que lhe posso oferecer
além de mi alma
trazem os meus trapos da viagem
Nascer
Adormento no meu regaço,
encerro os portões das estrelas.
Que ninguém venha! Pois prontos estão os areais!
A orbita transporta o teu sopro na direcção
minha respiração.
Os veludos encaixam-se em concha
numa atroada propagadora de sonância.
Lá dentro a fecundação,
alvéolo sedento de luz,
ser infinito baqueando contra o tempo.
Ruge, ruge, a vida dentro do silêncio,
mia...
O oceano grita de prazer...
Emerjo.
encerro os portões das estrelas.
Que ninguém venha! Pois prontos estão os areais!
A orbita transporta o teu sopro na direcção
minha respiração.
Os veludos encaixam-se em concha
numa atroada propagadora de sonância.
Lá dentro a fecundação,
alvéolo sedento de luz,
ser infinito baqueando contra o tempo.
Ruge, ruge, a vida dentro do silêncio,
mia...
O oceano grita de prazer...
Emerjo.
terça-feira, 26 de Maio de 2009
Sol
Já quase me fazia esquecer quanto o sol é cálido
quanta atmosfera circunda o corpo enquanto ele caminha
quanto quente é a pele que abate o gelo dos dias desprovidos de espaço
e amanheço num anoitecer
adormeço rodeada de querença
fonte infinita
o amor não morre
como o nevar derrete.
quanta atmosfera circunda o corpo enquanto ele caminha
quanto quente é a pele que abate o gelo dos dias desprovidos de espaço
e amanheço num anoitecer
adormeço rodeada de querença
fonte infinita
o amor não morre
como o nevar derrete.
quarta-feira, 6 de Maio de 2009
Desnudo
Su cuerpo resonaba en el espejo
vertebrado en imágenes distantes:
uno y múltiple, espeso, de reflejo
reverso ahora de inmediato antes.
Entraba de anterior huida al dejo
de sí mismo, en retornos palpitantes,
retenido, disperso, al entrecejo
de dos voces, dos ojos, dos instantes.
Toda su ausencia estaba -en su presencia-
dilatada hasta el próximo asidero
del comienzo inminente de otra ausencia:
rumbo intacto de espacio sin sendero
al inmóvil azar de su querencia
¡estatua de su cuerpo venidero!
MARIANO BRULL ( Cuba, 1891 - 1956 )
vertebrado en imágenes distantes:
uno y múltiple, espeso, de reflejo
reverso ahora de inmediato antes.
Entraba de anterior huida al dejo
de sí mismo, en retornos palpitantes,
retenido, disperso, al entrecejo
de dos voces, dos ojos, dos instantes.
Toda su ausencia estaba -en su presencia-
dilatada hasta el próximo asidero
del comienzo inminente de otra ausencia:
rumbo intacto de espacio sin sendero
al inmóvil azar de su querencia
¡estatua de su cuerpo venidero!
MARIANO BRULL ( Cuba, 1891 - 1956 )
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