terça-feira, 26 de maio de 2009

Sol

Já quase me fazia esquecer quanto o sol é cálido
quanta atmosfera circunda o corpo enquanto ele caminha
quanto quente é a pele que abate o gelo dos dias desprovidos de espaço
e amanheço num anoitecer
adormeço rodeada de querença
fonte infinita
o amor não morre
como o nevar derrete.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Desnudo

Su cuerpo resonaba en el espejo
vertebrado en imágenes distantes:
uno y múltiple, espeso, de reflejo
reverso ahora de inmediato antes.

Entraba de anterior huida al dejo
de sí mismo, en retornos palpitantes,
retenido, disperso, al entrecejo
de dos voces, dos ojos, dos instantes.

Toda su ausencia estaba -en su presencia-
dilatada hasta el próximo asidero
del comienzo inminente de otra ausencia:

rumbo intacto de espacio sin sendero
al inmóvil azar de su querencia
¡estatua de su cuerpo venidero!

MARIANO BRULL ( Cuba, 1891 - 1956 )

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Plim!

(Não está Sol
nem tão pouco chuva
Jaz a poeira
vive de verde)
eu perco-me nos horários das estações
eu chego sempre a tempo e horas a lugar nenhum
não sou o vento
não sou a chuva
sou.
E ao mesmo tempo nunca serei
aquilo que não desejo ser.
(Ponho a hipótese de lado
de uma antanáclase)

"Boa tarde, pode-me dizer a que horas passa o Antacláudio por ai?"

"Passa, já, agora, que já passou"

"Ora muito obrigada, diga-lhe que o vi passar"